Bônus: A Herdeira – Kiera Cass

FullSizeRender

Hey Galera, 

Há algum tempo atrás foi divulgado os dois primeiros capítulos de “The Heir” (A Herdeira), continuação da série “The Selection” (A Seleção) da autora Kiera Cass. Como foi divulgado apenas em inglês, algumas fanpages do Facebook traduziram o trecho. Quer matar a curiosidade um pouquinho? Então vem comigo.

CAPA-The-HeirCAPÍTULO 1

Eu não conseguiria prender a respiração por sete minutos. Não conseguiria sequer chegar a um minuto. Uma vez tentei correr uma milha em sete minutos, depois de ouvir que alguns atletas conseguem em quatro, mas falhei miseravelmente quando uma dor lateral me incapacitou na metade da distância.

Mas tem uma coisa que eu consegui fazer em sete minutos que a maioria das pessoas diria ser muito impressionante: eu me tornei rainha.

Por meros sete minutos eu cheguei ao mundo antes do meu irmão, Ahren, então o trono que deveria ser dele virou meu. Se eu tivesse nascido uma geração antes, não teria feito diferença. Ahren era o homem, então ele teria sido o herdeiro.

Infelizmente, minha mãe e meu pai não aguentariam ver a primogênita perder seu título graças a um inesperado porém gracioso par de seios. Então eles mudaram a lei, o povo comemorou, e eu fui treinada todos os dias para virar a próxima regente de Illéa.

O que eles não entendiam, é que essas tentativas de tornar minha vida mais justa pareciam muito injustas para mim.

Eu tentava não reclamar. Afinal, eu sabia como era sortuda. Porém haviam dias, ou meses em algumas vezes, onde parecia que muito era empilhado sobre mim, muito para qualquer pessoa, de verdade.

Folheei o jornal e vi que havia ocorrido outra manifestação, desta vez em Zuni. Vinte anos atrás, o primeiro ato do meu pai como rei fora dissolver as castas, e o sistema velho foi extinto lentamente. Eu ainda pensava  em como era completamente bizarro que uma vez as pessoas viveram com esses limitantes mas arbitrários rótulos em suas costas. Minha mãe era uma Cinco, meu pai era Um. Não fazia sentido, principalmente quando não havia um sinal externo para as divisões. Como eu saberia se estava andando próxima de um Seis ou um Três? E por que isso até mesmo importava?

Quando meu pai decretou que as castas não existiam mais, todas as pessoas do país ficaram encantadas. Papai esperava que as mudanças que estava fazendo em Illéa estivessem completamente estáveis no curso de uma geração, significando que poderia acontecer a qualquer dia, agora.

Isso não estava acontecendo — e essa nova manifestação era a mais recente de uma série de distúrbios.

— Café, Vossa Alteza — Neena disse, deixando a bebida em minha mesa.

— Obrigada. Você pode levar os pratos.

Eu examinei o artigo. Desta vez um restaurante foi incendiado porque seus donos se recusaram a promover um garçom ao cargo de um chefe. O garçom reivindicava que uma promoção foi prometida mas nunca entregue, e ele tinha certeza de que era por causa do passado de sua família.

Olhando para os restos carbonizados, eu honestamente não sabia de que lado estava. O proprietário tinha o direito de promover ou demitir quem quisesse, e o garçom tinha o direito de não ser visto como algo que, tecnicamente, não existia mais.

Eu afastei o papel e peguei minha bebida. Papai ficaria chateado. Eu tinha certeza de que ele ficaria passando e passando o cenário diversas vezes em sua cabeça, pensando em como ajustar tudo corretamente. O problema era que, mesmo se pudéssemos resolver um problema, não poderíamos parar cada mísero caso de descriminação pós-casta. Era muito difícil de monitorar e acontecia com muita frequência.

Eu depositei meu café e me dirigi para o meu closet.

— Neena — chamei —, você sabe onde está o meu vestido cor de ameixa? Aquele com uma faixa?

— Oh, céus! — Ela cerrou os olhos, concentrada, e veio me ajudar.

No grande esquema de coisas, Neena era nova no palácio. Nós apenas estivemos juntas por seis meses, após minha última criada ter ficado doente por duas semanas. Neena era muito sintonizada com as minhas necessidades e muito mais agradável de ter por perto, então eu a mantive.

Neena olhou para o espaço enorme.

— Talvez devêssemos reorganizar.

— Você pode, se encontrar tempo. Este não é um projeto no qual eu esteja interessada.

— Não enquanto eu possa caçar suas roupas por você — ela provocou.

— Exatamente!

Ela levou meu humor na esportiva, rindo enquanto ordenava entre vestidos e calças.

— Gostei do seu cabelo hoje — comentei.

— Obrigada.

Todas as criadas usavam algo na cabeça, mas Neena ainda era criativa com seu cabelo. Algumas vezes alguns cachos negros e espessos molduravam seu rosto, em outras vezes ela retorcia os fios até ficarem aninhados. No momento, havia largas tranças circulando sua cabeça, com o resto de seu cabelo embaixo do chapéu. Eu realmente fiquei feliz por ela encontrar caminhos de trabalhar com seu uniforme, de fazer o seu próprio a cada dia.

— Ah! Está aqui atrás! — Neena puxou para baixo o vestido que ia até o joelho.

— Perfeito! E você sabe onde está o meu blazer cinza? Aquele com as mangas três-quartos?

Ela olhou para mim, o rosto sem expressão.

— Eu definitivamente vou reorganizar.

Eu ri.

— Você procura; eu visto.

Eu vesti minha roupa e escovei meu cabelo, me preparando para outro dia como a futura face da monarquia. A roupa era feminina o bastante para me suavizar mas forte o bastante para ser levada a sério. Era uma linha muito tênue para caminhar, mas eu fazia isso todos os dias.

Olhando para o espelho, conversei com meu reflexo.

— Você é Eadlyn Schreave. Você é a próxima pessoa na fila para administrar este país e será a primeira mulher a fazer isso sozinha. Ninguém — eu disse — é mais poderoso que você.

Papai já estava em seu escritório, a testa franzida enquanto assimilava as notícias. Exceto pelos olhos, eu não era muito parecida com ele. Ou com a mamãe, até onde interessa.

Com meus olhos e cabelo escuros, e uma pitada de um bronzeado que durava o ano todo, eu parecia mais com a minha avó do que com qualquer outro. Uma pintura dela no dia de sua coroação estava pendurada no corredor do quarto andar e eu costumava estudá-lo quando era mais jovem, tentando adivinhar como eu pareceria conforme eu crescia. A idade dela no quadro era próxima da minha agora e, apesar de não sermos idênticas, às vezes eu me sentia como se fosse seu eco.

Eu caminhei através do escritório e beijei a bochecha de meu pai.

— Bom dia.

— Bom dia. Você viu o jornal? — ele perguntou.

— Sim. Ao menos ninguém morreu desta vez.

— Graças a Deus por isso.

Aqueles eram os piores, aqueles onde as pessoas era abandonadas mortas na rua ou desapareciam. Era terrível, ler os nomes de homens que foram espancados por simplesmente mudar suas famílias para uma vizinhança melhor, ou mulheres que eram atacadas por tentar ter um emprego que no passado não poderiam ter.

Em algumas vezes não levava tempo algum para encontrar o motivo e as pessoas por trás desses crimes; no entanto, eram muito mais frequentes as vezes em que dedos eram apontados e nenhuma resposta real. Pra mim, era exaustivo de assistir e sabia que era ainda pior para o meu pai.

— Eu não entendo. — Ele retirou seus óculos de leitura e esfregou os olhos. — Eles não queriam mais as castas. Nós levamos nosso tempo, removemos-as lentamente para todos se ajustassem. Agora eles incendeiam as construções.

— Há algum meio de regular isso? Nós poderíamos criar um conselho para supervisionar as queixas?

Olhei para a foto outra vez. No canto, o filho jovem do proprietário do restaurante lamentando ter perdido tudo.

Papai olhou para mim.

— É isso o que você faria?

Sorri.

— Não, eu perguntaria ao meu pai o que ele faria.

Ele suspirou.

— Isso nem sempre será uma opção para você, Eadlyn. Você precisa ser forte, decidida. Como você consertaria esse incidente particular?

Eu considerei.

— Não acho que possamos. Não há como provar que as castas foram o motivo pelo qual a promoção foi negada ao garçom. A única coisa que podemos fazer é iniciar uma investigação para saber quem causou o incêndio. Aquela família perdeu seu sustento hoje, e alguém precisa ser responsável por isso. Um incêndio proposital não é o modo de exigir justiça.

Ele balançou a cabeça para o jornal.

— Acho que está certa. Gostaria de ser capaz de ajudá-los. Mais que isso, precisamos descobrir como prevenir que aconteça outra vez. Isso está se tornando excessivo, Eadlyn, e é assustador.

Papai jogou o papel no lixo, então ficou em pé e andou até a janela. Eu poderia ler o estresse em sua postura. Às vezes seu cargo lhe trazia muita alegria, como visitar as escolas que ele tinha trabalhado incansavelmente para melhorar ou ver as comunidades florescerem da época sem guerra que ele inaugurou. Contudo, estes momentos diminuíam e se tornavam menos frequentes. Na maioria dos dias ele estava ansioso sobre o estado do país e tinha que fingir sorrisos quando os repórteres vinham, esperançoso de que sua sensação de calma pudesse, de algum modo, se espalhar para todos. Mamãe ajudava a arcar com o ônus, porém, no final do dia, o destino do país era colocado diretamente sobre suas costas. Um dia estariam nas minhas.

Vaidosa como era, me preocupava em ganhar fios brancos antes da hora.

— Faça uma nota para mim, Eadlyn. Lembre-me de escrever para o Governador Harpen, em Zuni. Ah, e coloque para escrever para Joshua Harpen, não para o seu pai. Eu vivo me esquecendo de que foi ele quem se candidatou na última eleição.

Eu escrevi suas inscrições em minha elegante letra cursiva, pensando em quão satisfeito ele ficaria quando olhasse para ela mais tarde. Papai tinha o costume de ser chato sobre a minha caligrafia.

Eu estava sorrindo para mim mesma quando voltei a olhar para ele, mas meu sorriso caiu quase imediatamente quando eu o vi esfregando a testa, tentando arduamente pensar em uma solução para esses problemas.

— Pai?

Ele virou e instintivamente endireitou os ombros, como se tivesse que parecer forte até mesmo para mim.

— Por que você acha que isso está acontecendo? Não foi sempre assim?

Ele levantou suas sobrancelhas.

— Certamente não foi — ele disse, quase para si mesmo. —  No começo, todos pareceram satisfeitos. A cada vez que removíamos uma casta, as pessoas davam festas. Têm sido apenas nos anos mais recentes, desde que removemos todos os rótulos, que têm decaído.

Ele olhou para fora da janela.

— A única coisa que consigo pensar é que aqueles que cresceram com as castas sabem como isso é melhor. Comparativamente, é mais fácil de casar e trabalhar. As finanças de uma família não são limitadas a uma profissão. Quando se trata de educação, há mais opções. Com certeza é uma melhora. Mas para aqueles que cresceram sem as castas, ainda são opositores… Acho que eles não sabem mais o que fazer.

Ele olhou para mim e deu de ombros.

— Eu preciso de tempo — murmurou. — Preciso de uma maneira de parar por um tempo com essas coisas, ajeitá-las e depois deixá-las continuarem outra vez.

Eu notei o vinco profundo em sua testa.

— Pai, não creio que seja possível.

Ele me encarou e riu com si mesmo.

— Nós já fizemos isso antes. Posso me lembrar…

O foco em seus olhos mudou e pareceu que ele teve uma ideia. Ele olhou para mim por um momento, parecendo me fazer uma pergunta sem palavras.

— Pai.

— Sim.

— Você está bem?

Ele piscou algumas vezes.

— Sim, querida, estou ótimo. Por que você não vai trabalhar naqueles cortes do orçamento? Podemos ver suas ideias esta tarde. Eu preciso conversar com sua mãe.

— Claro.

Matemática não era um talento que me veio naturalmente, então eu tinha que trabalhar duas vezes mais em qualquer proposta de corte no orçamento ou planos financeiros. No entanto, eu absolutamente recusava ter um dos conselheiros do papai nas minhas costas com uma calculadora para limpar minha bagunça. Mesmo que tivesse que ficar acordada a noite inteira, eu sempre fazia questão de que meu trabalho não tivesse erros.

É claro, Ahren era naturalmente bom em matemática, mas nunca era forçado a sentar-se em encontros sobre orçamentos, rezoneamentos ou cuidados com a saúde. Ele saiu impune por sete estúpidos minutos.

Papai afagou meus ombros antes de sair do escritório. Eu levei muito mais tempo do que o usual para me focar nos números. Eu não poderia evitar ser distraída pelo olhar em seu rosto e a certeza evidente de que me envolvia.

CAPÍTULO 2

Após trabalhar no relatório do orçamento por algumas horas, eu decidi que precisava de um intervalo e retirei-me para o meu quarto para ganhar de Neena uma massagem nas mãos. Eu amava esses pequenos momentos de luxo no meu dia. Vestidos feitos na medida certa para mim, sobremesas exóticas simplesmente porque era quinta-feira, e um fornecimento interminável de coisas lindas, eram todas vantagens; e eram facilmente a melhor parte do trabalho.

Meu quarto tinha vista para os jardins; e conforme o dia se deslocava, a luz mudava para um quente cor de mel, que brilhava nos altos muros. Eu foquei no calor e nos dedos deliberados da Neena.

— De qualquer modo, o rosto dele ficou todo estranho. Foi meio como se ele tivesse desaparecido por um minuto.

Eu tentava explicar o afastamento fora do comum do meu pai nesta manhã, mas era difícil de conseguir. Eu nem ao menos sabia se ele encontrou ou não a minha mãe, porque ele não voltou para o escritório.

— Você acha que ele está doente? Ele parece cansado, nesses últimos dias. — As mãos da Neena faziam sua mágica conforme ela falava.

— Talvez —  eu respondi, pensando que o Papai não estava exatamente cansado. — Ele provavelmente só está estressado. E como poderia não estar, com todas as decisões que ele tem que tomar?

— E algum dia essa será você — ela comentou, sua voz em uma mistura de genuína preocupação com uma brincadeira divertida.

— O que significa que você me fará duas vezes mais massagens.

— Eu não sei — ela disse. — Eu acho que em alguns anos eu talvez goste de tentar algo novo.

Eu fiz uma careta.

— O que mais você faria? Não há muitos cargos melhores do que trabalhar no palácio.

Houve uma batida na porta e ela não teve uma chance de responder a pergunta.

Eu fique em pé, colocando meu blazer de volta para parecer mais apresentável e dei um aceno para que Neena deixasse meus visitantes entrar.

— Mãe. Pai. — Eu atravessei o quarto para abraçá-los. — Eu estava prestes a voltar para o escritório.

Mamãe colocou meu cabelo atrás da minha orelha, sorrindo para mim.

—  Eu gosto desta aparência.

Eu andei para trás orgulhosamente, com o vestido em minhas mãos.

— Os braceletes realmente arrasam, você não acha?

Ela riu.

— Excelente atenção ao detalhe.

De vez em quando, minha mãe me deixa escolher joias ou sapatos para ela, mas era raro. Ela não achava tão divertido quanto eu e não dependia dos acessórias para a beleza. Eu gostava de ela ser clássica.

Mamãe virou e tocou no ombro de Neena.

— Você está dispensada — ela disse quietamente.

Neena instantaneamente fez uma cortesia e nos deixou sozinhos.

— Há algo errado? — perguntei.

— Não, meu amor. Nós simplesmente queremos conversar em particular. — Papai estendeu a mão e levou-nos para a mesa. — Nós temos uma oportunidade para conversar com você.

— Oportunidade? Nós vamos viajar? — Eu adorava viajar. — Por favor, me digam que nós vamos finalmente viajar para a praia. Poderia ser apenas nós seis?

Mesmo com três irmãos ocasionalmente indisciplinados, eu amava o tempo que passávamos juntos. Eu sonhei com o Papai finalmente — finalmente! — nos levando para a praia.

—  Não exatamente. Nós não iremos a algum lugar enquanto tivermos visitantes. — Mamãe explicou.

— Ah! Companhia! Quem virá?

Eles trocaram olhares, então Mamãe continuou falando:

— Você sabe que as coisas estão precárias no momento. O povo está inquieto e infeliz e nós não conseguimos encontrar uma maneira de parar com a tensão.

Suspirei.

— Eu sei.

— Nós estamos pensando em um modo de elevar a moral — Papai acrescentou.

Eu me animei. Elevar a moral geralmente envolvia uma celebração. Eu era sempre a favor de uma festa.

— O que vocês têm em mente? — Eu comecei a desenhar um novo vestido em minha cabeça e o excluí quase que instantaneamente. Aquela não era exatamente a atenção que eu precisava no momento.

— Bem — Papai começou — as pessoas respondem melhor com algo positivo em nossa família. Quando sua mãe e eu nos casamos, foi uma das melhores temporadas do país. E você se lembra de como as pessoas deram festas nas ruas quando Osten estava a caminho?

Sorri. Eu tinha oito quando o Osten nasceu e eu nunca vou me esquecer de como as pessoas ficaram animadas logo após o anunciamento. Eu escutei a música tocando da minha cama até quase o amanhecer.

— Aquilo foi maravilhoso.

— Foi. E agora as pessoas olham para você. Não vai demorar muito para você ser a rainha — Papai deu uma pausa. — Nós pensamos que talvez você estaria disposta a fazer algo publicamente, algo que seria animador para as pessoas mas que também traria muitos benefícios para você.

Eu estreitei meus olhos, sem saber onde isso terminaria.

— Estou escutando.

Mamãe limpou a garganta.

— Você sabe que no passado as princesas se casavam com príncipes de outros países para estabilizar as nossas relações internacionais.

— Eu ouvi você usar o termo no passado, estou correta?

Ela riu, mas eu não achei graça.

— Sim.

— Ótimo, porque o príncipe Nathaniel parece um zumbi, o príncipe Hector dança como um zumbi, e se o príncipe da Federação Alemã não aprender a adotar a higiene pessoal até a festa de Natal, ele não deve ser convidado.

Mamãe esfregou a lateral de seu rosto em frustração.

— Eadlyn, você sempre foi tão exigente!

Papai deu de ombros.

— Talvez isso não seja algo ruim. — Mamãe olhou fixamente para o Papai enquanto ele dava de ombros.

Eu franzi as sobrancelhas.

— Do que é que vocês estão falando?

Eles trocaram olhares outra vez, claramente com dificuldades em chegar ao ponto.

— Você sabe como sua mãe e eu nos conhecemos — Papai começou.

Eu revirei meus olhos.

— Todos conhecem. Vocês dois são praticamente um conto de fadas.

Com essas palavras o olhar dos dois ficou mais suave, e sorrisos atravessaram seus rostos. Seus corpos pareceram inclinarem-se levemente na direção um do outro e Papai mordeu seu lábio olhando para a Mamãe.

— Com licença. Primogênita no recinto, vocês se importam?

Mamãe corou assim que Papai limpou a garganta e continuou:

— O processo da Seleção foi um sucesso para nós. E embora meus pais tenham tido seus problemas, também funcionou para eles. Então… Esperávamos que… — Ele hesitou e encontrou meus olhos.

Eu fui lenta para entender suas dicas. Eu sabia o que a Seleção era, mas nunca, nem uma vez, foi sugerida como uma opção para qualquer um de nós, e muito menos para mim.

— Não.

Mamãe levantou as mãos, advertindo-me.

— Apenas ouça…

— Uma Seleção? — explodi. — Isso é insano!

— Eadlyn, você está sendo irracional.

Eu olhei para ela.

— Você prometeu, prometeu!, que nunca me forçaria a me casar com alguém por causa de uma aliança. Como isso pode ser melhor?

— Ouça-nos — ela incitou.

— Não! — gritei. — Eu não farei isso.

— Acalme-se, amor.

— Não fale comigo desta forma, não sou uma criança.

Mamãe suspirou.

— Você está certamente agindo como uma.

— Você está arruinando a minha vida! — Corri meus dedos pelo meu cabelo e respirei diversas vezes, esperando que me ajudasse a pensar. Isso não poderia acontecer. Não comigo.

— É uma gigantesca oportunidade — Papai insistiu.

— Vocês estão tentando me algemar a um estranho!

— Eu disse que ela seria teimosa — Mamãe murmurou ao Papai.

— Me pergunto de onde isso veio — ele atirou de volta com um sorriso.

— Não falem de mim como se eu não estivesse aqui!

— Sinto muito. — Papai disse — Nós apenas precisamos que você considere isso.

— E o Ahren? Ele pode fazer isso?

— Ahren não será o futuro rei. Além do mais, a essa altura nós sabemos que ele vai governar na França ao lado de Camille.

A princesa Camille era a herdeira do trono da França e alguns anos atrás ela conseguiu fincar todas as suas presas no coração de Ahren.

— Então façam-os se casar! — implorei.

— Camille será rainha quando chegar a vez dela e ela, como você, terá que pedir o parceiro em casamento. Se fosse uma decisão do Ahren, ele consideraria; mas não é.

— E o Kaden? Ele não pode fazer isso por vocês?

Mamãe gargalhou sem humor.

— Ele tem catorze anos! Nós não temos esse tipo de tempo. As pessoas precisam de algo para se animarem agora. — Ela estreitou os olhos para mim. — E, honestamente, não está na hora de você procurar alguém para governar ao seu lado?

Papai assentiu.

— É verdade. Não é um cargo que eu teria gostado de administrar sozinho.

— Mas eu não quero me casar — implorei. — Por favor, não me obriguem a fazer isso. Tenho apenas dezoito anos!

— Que é a idade com que eu casei com seu pai — Mamãe determinou.

— Não estou pronta — insisti. — Eu não quero um marido. Por favor, não me façam fazer isso.

Mamãe atravessou a mesa e colocou a mão sobre a minha.

— Ninguém faria nada por você. Você faria algo por seu povo. Você daria um presente a eles.

— Vocês diz fingir um sorriso quando eu preferiria chorar?

Ela fez uma carranca fugaz para mim.

— Isso sempre foi parte do seu dever.

Eu a encarei, silenciosamente pedindo por uma resposta melhor.

— Eadlyn, por que você não tira um tempo para pensar sobre? — Papai disse calmamente. — Eu sei que é algo grande que estamos pedindo a você.

— Isso significa que eu tenho escolha?

Papai inspirou profundamente, considerando.

— Bem, amor, você realmente terá trinta e cinco opções.

Eu saltei de minha cadeira, apontando para a porta.

— Saiam daqui! — pedi. — Saiam! Daqui!

Sem dizer uma palavra, eles saíram do quarto.

Eles não sabiam quem eu era, para o que haviam me treinado? Eu era Eadlyn Schreave. Ninguém era mais poderoso do que eu.

Então se eles pensavam que eu cairia sem lutar, estavam redondamente enganados.

Kiera Cass na Bienal do Livro – SP 2014

tumblr_mus2c7cf4Y1sq3hwdo1_500

Hey Galera,

E por falar em novidades da Bienal, sabe quem mais terá lançamentos no próximo ano? Nossa querida Kiera Cass, sim, A Seleção terá uma 4ª continuação, e tem lançamento marcado

para Maio/2015. Isso mesmo, para quem foi no evento e pode curtir um pouco a presença dessa autora incrível, soube também de todas essas novidades. Já que essa semana pareceu a Semana da Kiera Cass no blog, resolvi postar mais algumas novidades sobre a autora e um pouco mais sobre o trabalho dela, para quem conhece e também para quem não conhece e deseja conhecer. Para começar, a Kiera Cass não pretendia se tornar escritora, isso aconteceu meio que por acidente, quando ela estava em uma fase complicada de sua vida. A Seleção é uma distopia, ainda que um pouco diferente do que estamos acostumados, mas ainda assim apaixonante. Confira a sinopse de todos os livros já lançados, algumas novidades e uma pequena parte da entrevista de ontem na bienal.

Entrevista com a Kiera Cass na Bienal 2014:

Sobre decisão de escrever mais livros:
Quando o editor pediu um segundo epilogo de “A Escolha” Kiera percebeu o bom material que tinha em mãos para continuar a historia. Novas perspectivas virão junto com os novos livros.

O que você prevê para os outros personagens nos novos livros, algo vai mudar radicalmente nessa continuação tão longa que você esta preparando?
“Será diferente porque nunca planejei nada disso, então será inesperado, se vocês não sabem será contado sob uma perspectiva diferente.”

E como você reflete e avalia na hora de mudar esses narradores, esses pontos de vistas, como você escolhe “Não, agora quero que esse personagem conte sob a visão dele”?
“É difícil entrar em outro personagem porque já estou na cabeça de America a uns cinco ou seis anos. Vocês já devem saber sobre o livro sobre a rainha, é muito legal, pois a experiência é totalmente diferente da experiência da America. 
Sobre o novo livro ele ainda não tem nenhuma decisão, enquanto eu não terminar o outro trabalho que estou preparando no momento.”

Perguntas dos fãs:
Pode contar mais sobre o próximo livro e sobre os herdeiros?
“Vocês vão ver todos os personagens que vocês já conhecem e muitos outros.”

A seleção algum dia pode virar filme?
“Por hora não, mas eu prometo que se tornarem isso um filme eu estarei gritando dos telhados e todos vão saber.”

**SPOILER**
Porque você matou a celeste?
“Eu não mato pessoas, elas simplesmente morrem. Não fui eu que atirei em Ceslete, foi outro personagem, a culpa é dele e não minha, fiquei tão aborrecida quanto você.”

**FINAL**
Os leitores nunca entendem quando se fala isso, os personagens vão adquirindo vida e não tem como controlar todos. Conte-nos um pouco sobre isso?
“Eu criei aquele mundo, mas os personagens são eles mesmos. Às vezes eu tento envolver alguma coisa em uma direção especifica, mas nem sempre tenho sucesso.”

Eu queria saber se você teve duvidas quanto a pessoa que America ficaria no final? 
“É uma longa historia, quando eu comecei a escrever, estava colocando palavras na boca da America que não eram dela. E quando terminei de escrever o primeiro livro e fui ler eu percebi que coloquei coisas que não eram dela, então tive que escrever de novo, quando fiz isso eu comecei a ver que o jeito que eu imaginei a historia, não seria o jeito que ela iria acabar. 
Essa historia que vocês conhecem, é um segundo final, primeiro final seria assim: 
Rei Clarkson morre, Maxon morre, Amberly vive e adota America, pois sempre quis uma filha, America e Aspen se casam e finalmente America se torna a rainha.”

A rainha desconfiava sobre a relação de Aspen e America? 
“Não. Maxon desconfiava porem sempre acreditou que America iria contar para ele, o que fez a reação dele no final ser tão forte.”

Porque America esta naquela pose no primeiro livro?
“Na minha mente, ela tinha muito a esconder então ela esconde o rosto, já no terceiro livro, ela esconde um pouco menos, aparece mais dos olhos, que aparecem conhecer mais coisas, como se ela tivesse um segredo.”

Você colocou muitos personagens na historia e não desenvolveu todos, é por isso que você escreve na versão deles agora?
“É difícil porque tudo acontece do ponto de vista da America, e nem sempre consigo contar detalhes de todos, consegui fazer isso com Maxon, Aspen, Amberly e Marlee.”

Você realmente queria aquele fim para o Aspen?
“Sobre o Aspen foi difícil escrever, porque eu não sabia exatamente qual destino ele deveria ter. 
As pessoas perguntas se eu sou team Maxon e team Aspen, mas na verdade eu sou os dois. Os dois foram inspirados no meu marido. Se você gosta do jeito determinado do Aspen, meu marido é assim, e se você gosta do jeito de nerd e romântico do Maxon, esse é meu marido também.”

Obs: Essa foi a entrevista gente, percebemos que a continuação da historia será bem longa. Muito mais Maxon e America pra gente. ♥ 

Conheça o trabalho da autora:

A Seleção - Kiera Cass

A Seleção – Kiera Cass

A Seleção

Para trinta e cinco garotas, a “Seleção” é a chance de uma vida. Num futuro em que os Estados Unidos deram lugar ao Estado Americano da China, e mais recentemente a Illéa, um país jovem com uma sociedade dividida em castas, a competição que reúne moças entre dezesseis e vinte anos de todas as partes para decidir quem se casará com o príncipe é a oportunidade de escapar de uma realidade imposta a elas ainda no berço. É a chance de ser alçada de um mundo de possibilidades reduzidas para um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha. Para America Singer, no entanto, uma artista da casta Cinco, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás Aspen, o rapaz que realmente ama e que está uma casta abaixo dela. Significa abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes. Então America conhece pessoalmente o príncipe. Bondoso, educado, engraçado e muito, muito charmoso, Maxon não é nada do que se poderia esperar. Eles formam uma aliança, e, aos poucos, America começa a refletir sobre tudo o que tinha planejado para si mesma — e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que ela nunca tinha ousado imaginar.

A Elite - Kiera Cass

A Elite – Kiera Cass

A Elite

A Seleção começou com 35 garotas. Agora restam apenas seis, e a competição para ganhar o coração do príncipe Maxon está acirrada como nunca. Quanto mais America se aproxima da coroa, mais se sente confusa. Os momentos que passa com Maxon parecem um conto de fadas. Mas sempre que vê seu ex- namorado Aspen no palácio, trabalhando como guarda, ela sente que é nele que está o seu conforto. Porém, enquanto ela está às voltas com o seu futuro, o resto da Elite sabe exatamente o que quer — e ela está prestes a perder sua chance de escolher.

 

A Escolha - Kiera Cass

A Escolha – Kiera Cass

A Escolha

America era a candidata mais improvável da Seleção: se inscreveu por insistência da mãe e aceitou participar da competição só para se afastar de Aspen, um garoto que partira seu coração. Ao conhecer melhor o príncipe, porém, surgiu uma amizade que logo se transformou em algo mais… No entanto, toda vez que Maxon parecia estar certo de que escolheria America, algum obstáculo fazia os dois se afastarem. Um desses obstáculos era Aspen, que passou a ocupar o posto de guarda no palácio e estava decidido a reconquistar a namorada. Em encontros proibidos, ele a reconfortava em meio àquele mundo de luxos e rivalidades. Com essas idas e vindas, America perdeu um pouco de espaço no coração do príncipe, lugar que foi prontamente ocupado por outra concorrente. Para completar, o rei odiava America e a considerava a pior opção para o filho. Assim, tentava sabotar a relação dos dois, inventando mentiras e colocando a garota em prova a todo instante.Agora, para conseguir o que deseja, America precisa cortar os laços com Aspen, conquistar o povo de Illéa e conseguir novos aliados políticos. Mas tudo pode sair do controle quando ela começa a questionar o sistema de castas e a estratégia usada para lidar com os ataques rebeldes.

O Príncipe - Kiera Cass

O Príncipe – Kiera Cass

O Príncipe

Antes que trinta e cinco garotas fossem escolhidas para participar da Seleção…
Antes que Aspen partisse o coração de America…
Havia outra garota na vida do príncipe Maxon.

Conto inédito e gratuito, O Príncipe não só proporciona um vislumbre dos pensamentos de Maxon nas semanas que antecedem a Seleção, como também revela mais um pouco sobre a família real e as dinâmicas internas do palácio. Você descobrirá como era a vida do príncipe antes da competição, suas expectativas e inseguranças, assim como suas primeiras impressões quando as trinta e cinco garotas chegam ao palácio.

É uma leitura indispensável a todos que terminaram A Seleção e ficaram querendo mais! Ao final, contém os dois primeiros capítulos de A Elite, segundo volume da trilogia. 

O Guarda - Kiera Cass

O Guarda – Kiera Cass

O Guarda

O guarda é o segundo conto que se passa no universo criado por Kiera Cass, autora da trilogia A Seleção. Depois de conhecermos os verdadeiros pensamentos e inquietações de Maxon em O príncipe, agora temos um vislumbre das ideias e emoções do jovem Aspen, ex-namorado de America, que vai trabalhar como soldado no palácio durante o concurso.

Antes de ir para o palácio competir pelo coração do príncipe Maxon, America Singer era completamente apaixonada por Aspen. Criado como um Seis, ele nunca imaginou que acabaria se tornando um dos soldados responsáveis por proteger a monarquia. Em O guarda, a história é contada pelo seu ponto de vista, a partir do momento que a Seleção é reduzida à Elite. Sua rotina é composta de exercícios e tarefas variadas dentro da casa da família real — desde cuidar da correspondência até combater os ataques rebeldes. Pela primeira vez, o enfoque é o mundo paralelo dos funcionários do palácio, suas dinâmicas e rede de relacionamentos, que America nunca chegou a conhecer.

 Ps: Em 2015 teremos mais lançamentos sobre a série, que eu citarei em outro post, porque esse já ficou bem longo. Lembrando que estive na Bienal, porém não me lembro muito bem de tudo que foi falado na entrevista, até porque o barulho dos gritos das fãs impediam isso, no entanto achei a entrevista por escrito numa fanpage do face muito bacana, então lhe dou os créditos: @estagiariadoreduto (twitter da fanpage).

 

 

Epílogo Bônus: The One – Kiera Cass

Hey Galera, 

Ontem através do site unlockmoreselection.com, foi desbloqueado um epílogo especial de A Escolha, uma página bem legal do face traduziu, para aqueles fãs que estavam morrendo de saudades do Maxon, confira abaixo mais um pouquinho de Maxerica ♥.

1797359_418084661658517_1375534386_n

Epílogo Bônus: A Escolha – Kiera Cass / Tradução feita por: @selectionquotes

Epílogo Bônus: The One – Kiera Cass

Meio acordada, eu golpeei uma cócega em meu ombro. Aconteceu de novo, e eu instintivamente rolei. A cócega retornou, viajando pelas minhas costas. Oh. Isso não era uma brisa aleatória ou outra pena que tinha escapado de meu travesseiro.

Eram beijos.

Ainda de olhos fechados, sorri para mim mesma conforme Maxon afastou uma mecha de meu cabelo para encontrar um novo lugar para beijar. Acordando para a sensação da respiração de Maxon em minha pele lembrou-me de como acabamos enrolados nesses lençóis em primeiro lugar.

Eu ri à medida que sua boca atingiu um delicado ponto de meu pescoço.

— Bom dia, querida — ele sussurrou.

— Bom dia.

— Eu estava pensando — ele começou, murmurando as palavras em minhas bochechas ao passo que eu rolei. — Vendo que é meu aniversário, você acha que poderíamos sair impunes sobre passar o dia inteiro na cama?

Eu sorri e forcei meus olhos com sono a abrirem.

— E quem administraria o país?

— Ninguém. Deixe-o cair aos pedaços. Contanto que eu tenha minha America em meus braços.

Seu cabelo estava uma perfeita bagunça e ele era tão quente que até a última partícula de meu corpo queria nada mais do que ficar aqui com ele. Era completamente fascinante para mim o modo que o amor cresceu. Continuei pensando que tinha encontrado uma maneira de dar a ele tudo o que ele queria, mas então eu tinha aprendido um novo capricho, ouvir uma nova história, viver uma nova experiência e meu coração inflou.

— Mas e a festa? Passamos semanas planejando — eu reclamei.

Ele apoiou a cabeça nas mãos.

— Hmm, tudo bem, teremos um intervalo de dez minutos para checar a festa e voltar para cá. — Maxon envolveu seus braços ao meu redor e eu ri quando ele me cobriu de beijos.

Estávamos tão distraídos que nem ouvimos o mordomo abrir a porta.

— Vossa Majestade, há uma ligação de…

Antes que ele pudesse terminar, Maxon lançou um travesseiro em si, e o mordomo recuou no corredor, empurrando a porta à sua frente. Houve uma pausa antes de uma voz abafada infiltrar.

— Desculpe, senhor.

Eu tenho me acostumado a essa falta de privacidade uma vez que vivo no palácio, e tão longe quanto esses momentos estranhos foram, esse foi um dos melhores. Eu cobri minha boca, tentando conter minha risada, e quando Maxon viu meu sorriso, ele sorriu também.

— Bem, acho que isso responde a minha pergunta.

Eu me sentei para beijar sua bochecha e imediatamente senti uma onda de tontura.

— Oh!

— Você está bem?

— Arrã — murmurei, cobrindo minha boca. — Sentei muito rápido.

Ele correu sua mão por minhas costas e eu me inclinei para ele.

— Que horas é a festa de novo?

— Às seis. Tudo mundo vai vir, até minha mãe.

— Ah, então será uma festa de verdade!

Eu o golpeei.

— Você algum dia esquecerá isso? Isso foi uma vez.

— Ela dançou na fonte na Véspera de Ano Novo, America — ele disse, uma diversão infantil em sua voz. — Isso foi incrível e eu nunca vou deixar de lado.

Suspirei.

— De qualquer modo, não se atrase. Eu vou me vestir. Te vejo no café da manhã.

— Okay.

Puxei o lençol da cama conforme eu fiquei de pé, envolvendo ao meu redor. Ele deitou e me assistiu sair.

— De todos os seus vestidos, esse é o meu favorito.

Mordi meu lábio ao olhar uma última vez para ele antes de abrir a porta e ir para minha suíte. Não havia maneiras de eu algum dia ter o suficiente dele.

Mary estava esperando por mim, claro. Ela estava acostumada a me ver voltando do quarto de Maxon ou vê-lo trancando a porta do meu, porém era aquele sorriso sabido que sempre me pegava.

— Bom dia, Vossa Majestade — ela me cumprimentou com uma cortesia. — Teve uma boa noite, então?

— Tire esse sorriso do rosto! — provoquei, lançando o lençol para ela e correndo para o banheiro.

Eu tenho estado preocupada sobre o corte de meu vestido, mas ele se encaixa espetacularmente. Cabeças se voltaram quando eu caminhava para a festa e tentei aceitar a atenção com graciosidade. Mesmo após dois anos de casamento, estar sob os holofotes, ainda levaria tempo para me acostumar.

May correu para o meu lado.

— Você está radiante, Ames!

— Obrigada. Você se arrumou muito bem. — Toquei um de seus ordenados cachos e maravilhei-me com quão bem minha irmã tinha se ajustado à vida como nobre. Não que eu me surpreendesse. Ela sempre foi encantadora, borbulhante e quase assim que ela e minha família se mudaram para Angeles, May tinha se tornado uma queridinha da mídia. Enquanto várias fotos de mim seriam impressas amanhã, haveria duas fotos a mais de May.

— Você está se sentindo bem? — ela perguntou.

— Só um pouco distraída. Vá se divertir. Preciso garantir que tudo está correndo suavemente.

— Se divertir? Estou dentro! — Ela se apressou, acenando para as pessoas que eu tinha certeza que ela não conhecia, brilhando ao redor. A festa estava em plena atividade agora, e parecia que os convidados estavam aproveitando. A decoração era simples, a iluminação era adorável e os musicistas estavam fazendo um trabalho excelente. Esperava que Maxon estivesse satisfeito.

Eu fiz meu caminho pelo chão, provando alguns canapés em meu caminho. Nenhum dos alimentos parecia terrivelmente atraente, no entanto. Os favoritos de Maxon não eram necessariamente os meus, eu apenas tive que confiar que todos os outros aproveitariam a seleção.

Estiquei-me até a ponta dos pés, vasculhando o salão. Se Maxon tivesse me ouvido, ele deveria estar por aqui em algum lugar agora mesmo. Eu não o encontrei, mas eu vi Marlee. Ela correu assim que me viu, deixando Carter falando com algum dos convidados.

— A festa está incrível, America — ela falou, beijando minha bochecha.

— Estou tentando encontrar Maxon, você o viu?

Ela virou-se para olhar comigo.

— Eu o vi entrar, mas não tenho ideia de onde ele esteja agora.

— Hmm. Eu terei que dar uma volta. Como Kile está?

Ela sorriu ansiosamente.

— Bem. Estou tentando me acostumar a deixar uma babá colocá-lo para dormir.

Kile tinha apenas um ano e Marlee o adorava absolutamente — assim como eu. Ele era o único homem que passava algum tempo no Salão das Mulheres sem expressamente pedir por permissão.

— Eu tenho certeza que ele está bem, Marlee. E fará bem para você passar algum tempo sozinha com o Carter.

Ela assentiu.

— Você está certa. Nós estamos nos divertindo muito. Mas espere e veja. É difícil deixá-los irem, mesmo que seja por pouco tempo.

Sorri.

— Posso apenas imaginar. Vá, aproveite algo da comida. Te vejo depois.

— Tudo bem. — Ela me deu outro beijo e fez seu caminho até Carter.

Eu dei voltas pelo salão, procurando por meu marido. Quando finalmente o vi, meu coração se iluminou. Não simplesmente porque eu estava feliz por encontra-lo, mas porque ele estava conversando com Aspen.

A bengala de Aspen não existia mais, contudo, havia tempos em que ele ainda mancava, especialmente se estivesse cansado. Todos nós consideramos um milagre que ele tivesse se curado tão bem, mas se alguém poderia ter se recuperado por pura determinação, esse era Aspen.

Eles pareciam absortos em sua conversa e eu me aproximei, chegando por trás deles.

— Seu primeiro ano foi difícil? Muitas pessoas dizer que é, mas vocês dois parecem lidar tão bem — Aspen disse.

Ele e Lucy tinham planejado se casar não muito tempo depois de Maxon e eu, mas quando o pai dela adoeceu, tudo teve que esperar. Ele acabou se recuperando, porém mesmo após isso Aspen “arrastou seu pé” mais do que precisava. Eu suspeitava que ele tivesse medo de Lucy mudar de ideia e me culpei por esse medo. Eles eram tão certos um para o outro, ele nunca precisou duvidar. E quando eles finalmente ataram os nós, eu estava tão feliz quanto estive no dia de meu próprio casamento.

Maxon suspirou.

— Difícil dizer. Não acho que a parte do casamento foi tão difícil quanto os deveres. Era muito para pedir a ela, pular para o papel de uma rainha quando ela mal tinha se acostumado com a ideia de ser uma princesa.

— Você brigou?

— Está brincando? Isso é o que nós fazemos de melhor! — Ele e Aspen compartilharam uma risada. Eu queria estar ofendida, mas era a verdade — éramos bons em discutir. Mesmo assim, aquilo tinha diminuído muito.

— Não sei porque parece ser uma grande coisa — Aspen disse, sua risada se apagando. — Nós queríamos nos casar por tanto tempo. Por que parece tão embaraçoso agora que estamos casados?

— É o título. — Maxon tomou um gole de champanhe. — É assustador ser um marido. Parece que há muito mais a perder. Eu me preocupo sobre esse título mais do que ser chamado de rei, facilmente.

— Sério?

— Sério.

Aspen ficou quieto, considerando isso.

— Ouça — Maxon começou. — Esse não é sou eu te despachando. Você é sempre bem-vindo aqui. Mas talvez o que você e Lucy precisem seja seu próprio lugar.

— O que, como uma casa?

— Olhe ao redor. Pegue Lucy com você e vejam se encontra um lugar que gostem, parece algo em que podem trabalhar juntos. Formar uma vida juntos pode ser mais fácil se você tiver uma casa que é realmente sua.

— Marlee e Carter parecem bem aqui.

— Eles são um casal diferente.

Aspen olhou para baixo e eu pude ver que algo o fez sentir que tinha falhado.

Maxon bateu em suas costas.

— Eu não confio em muitas pessoas do modo como confio em você. Você tem feito muito por mim e pela America. Apenas vá procurar. Veja se há algo lá fora que você ame, e se houver, considere isso um presente de nós.

— É seu aniversário. Você deveria ser o cara recebendo os presentes — Aspen protestou, no entanto havia um sorriso em seu rosto ao mesmo tempo.

— Tenho tudo o que quero. Um país em ascensão, um casamento feliz e bons amigos. Saúde, senhor.

Aspen levantou sua taça com um sorriso e eles beberam. Eu pisquei para afastar minhas lágrimas de felicidade que estavam vindo, dando um tapa no ombro de Maxon.

Ele virou-se e quebrou em um raio de sol de um sorriso.

— Aí está você, minha querida.

— Feliz aniversário!

— Obrigado. Essa é realmente a melhor festa que já tive.

— Você fez um bom trabalho, Meri — Aspen acrescentou.

— Muito obrigada aos dois. — Virei para Maxon. — Preciso roubar você por um tempinho.

— Claro. Conversamos mais depois — Maxon prometeu a Aspen e me seguiu do salão.

— Perfeito — ele disse enquanto caminhávamos para o jardim. — Uma pausa na loucura.

Sorri, colocando minha cabeça em seu ombro. Sem instruções, ele nos guiou para nosso banco e sentamos, ele olhando a floresta e eu olhando o palácio.

— Champanhe? — ofereceu, trazendo seu copo.

— Não, obrigada.

Ele mesmo tomou um gole e suspirou contentemente.

— Essa foi uma escolha maravilhosa. Sério, America, esse foi o melhor aniversário que eu poderia ter esperado. Bem, segundo melhor. Eu ainda teria gostado da opção que sugeri esta manhã.

Sorri.

— Talvez no ano que vem.

— Eu vou te fazer realiza-lo.

Tomei uma respiração estável.

— Ouça, sei que temos uma longa noite à frente, mas gostaria de te dar seu presente de aniversário.

— Oh, querida, você não precisava me dar nada. Cada dia com você já em um presente. — Ele se inclinou e me beijou,

— Bem, eu não planejava te dar um presente, mas algo presenteou consigo mesmo, então aqui estamos.

— Tudo bem, então — ele disse, colocando sua taça no chão. — Estou pronto. Onde está?

— Aí é que está o problema — comecei, sentindo minhas mãos começarem a tremer. — Ele, na verdade, não chegará em outros sete ou oito meses.

Ele sorriu, mas olhou de soslaio.

— Oito meses? O que no mundo levaria…

Assim que suas palavras afastaram-se, como seus olhos, deixando meu rosto e indo para minha barriga. Ele parecia esperar que eu parecesse diferente, que eu já estivesse grande como uma casa. Mas eu dei meu melhor para esconder tudo: o cansaço, a náusea, o repentino desgosto por comidas.

Ele ficou olhando e olhando, eu fiquei esperando que ele sorrisse ou risse ou pulasse pra cima e para baixo. Mas ele permaneceu lá, congelado a ponto de começar a me assustar.

— Maxon? — Eu estendi a mão e toquei sua perna. — Maxon, você está bem?

Ele assentiu, ainda olhando minha barriga. Seus olhos se preencheram com lágrimas à medida que ele falou.

— Isso não é extraordinário? Eu de repente te amo centenas de vezes mais — ele disse, quietamente e em reverência. — Eu não pensava que fosse possível encontrar amor por uma pessoa que não conheço de nenhuma maneira. — Ele finalmente olhou para mim. — Nós realmente vamos ter um bebê?

Seus olhos se iluminaram.

— É um garoto ou uma garota?

— É cedo para dizer — disse sobre as lágrimas de felicidade. Não há muito que o médico possa dizer ainda, exceto que alguém definitivamente está lá.

Maxon pousou a mão gentilmente em minha barriga.

— Bem, vamos diminuir seus dias de trabalho, claro, ou podemos simplesmente cortá-los se necessário. Podemos ter mais criadas à disposição.

— Não seja bobo. Mary e Paige bastam. Além do mais, você sabe que minha mãe vai querer estar aqui, e Marlee e May estarão ao redor. Teremos muitas pessoas cuidando de mim.

— Como você deve!

Joguei minha cabeça para trás e ri, no entanto quando olhei para ele outra vez, vi que sua expressão tinha se transformado em escuridão.

— E se eu for como ele, America? E se eu for um pai terrível?

— Maxon Schreave, isso não é possível. No pior, você seria generoso. Nós teremos que contratar a babá mais restrita apenas para acalmar isso!

Ele sorriu.

— Sem babás restritas. Apenas babás felizes.

— Se assim diz, Vossa Real Marideza.

Maxon pigarreou e afastou as lágrimas.

— Estou assumindo que este é nosso segredo?

— Por enquanto.

Ele sorriu brilhantemente.

— Sempre o mesmo, agora eu me sinto celebrando de verdade.

Ele me pegou, me apressando para dentro, e eu não conseguia parar de rir. Eu olhei para sua expressão e sabia que estávamos apenas começando a melhor parte de nossas vidas.